Sexo

Lourival Perri Chefaly

Do ponto de vista biológico o sexo é aparelho reprodutor com a finalidade específica de perpetuar a espécie.

Fisiologicamente, é veículo excretor das impurezas que o sangue carreia para os órgãos de filtragem e purificação preservadores da vida.

Em razão das sensações e emoções que propicia, tornou-se, ao largo dos séculos, objeto de prazer desmedido responsável, na maioria das vezes, por desequilíbrios imprevisíveis e loucuras inabordáveis.

Elaborado pelo Espírito, que se deve utilizar para o “milagre” das existências corporais, sofre, na sua anatomofisiologia, os efeitos do uso nas reencarnações anteriores, que plasma as bênçãos como as patologias indispensáveis para a recuperação moral do ser, que nem sempre as aceita como deveria, derrapando em atentados e vilezas que mais complicam e atrasam o processo de evolução inevitável.

A História relata que a decadência dos grandes povos e civilizações do passado, sempre foi precedida pelas licenciosidades e aberrações sexuais que se permitiram, anestesiando a dignidade e rebaixando a condições mínimas os valores morais vigentes.

O poder, de um lado, e do outro, a ociosidade dos dominadores, fizeram incorporar às suas culturas as experiências dos conquistados, ao mesmo tempo em que a subjugação dos vencidos facultava-lhes submissão aos caprichos venais e à sua conduta corrompida gerando o clima de permissividade sem disfarce e de desregramento sob o amparo da ética alucinada.

A Babilônia, a Grécia, Roma, sem olvidarmos Sodoma e Gomorra, apenas para citarmos alguns povos e cidades, são o atestado da degradação que se facultaram os seus habitantes, vitimados pelos prazeres asselvajados, nos quais, ao lado da violência predominava o sexo em desvario.

Periodicamente, uma vaga de atentados morais e ao pudor varre a Terra, escravizando as criaturas e alienando-as, até quando a exaustão, os suicídios e as mortes sem motivo favorecem o pavor coletivo que depois conduz a reflexões ou abre espaço para as enfermidades antes epidêmicas e agora ameaçadoras de repetir as páginas negras do pretérito, quais a AIDS, o herpes genital, a sífilis e outras patologias dolorosas quão mutiladoras do corpo e da alma.

O sexo, no entanto, não é bom nem é mau. À semelhança de outro órgão qualquer de vida, tem sua finalidade precípua quanto complementar. O uso que dele se faz, torna-o santuário de elevação ou alcouce de delitos e de males funestos.

Sempre livre, é instinto que a razão deve governar, no homem, diferindo-lhe a função daquela que ocorre no automatismo animal inferior, de modo que o amor lhe propicie os estímulos para as expressões elevadas em que se deve manifestar.

Emulado pelos sentimentos superiores, torna-se o grande cooperador para a preservação dos padrões de beleza, na ciência, na arte, na fé, na paz, no heroísmo...

Sustentado pela comunhão de ideais, alimenta sem cansar, eleva sem exaurir o outro ser, constituindo um dos mais valiosos recursos da organização psicofísica, em nome do progresso da Humanidade.

Canalizado para o intercâmbio nobre, permuta hormônios físicos e psíquicos, responsáveis pelo bem-estar e pela felicidade das criaturas.

Rebaixado ao jogo das venalidades, entorpece a lucidez, aumenta a avidez do prazer sempre insatisfeito, produzindo melancolia em uns e perturbação nervosa em outros.

O sexo é mensageiro de força criadora sempre presente nos grandes gênios, artistas e construtores de civilizações, que se revelaram superiores, em razão da boa direção aplicada às suas forças genésicas.

Quando carreado pelas emoções que vibram em favor do bem comum, faz-se vida. Não obstante, exige disciplina para evitar o tormento e o desequilíbrio a que os impulsos inferiores arrastam, desviando os contributos da fidelidade, da afetividade.

Construtivo, quando trabalhado pelo amor e o uso harmônico das suas funções, transforma-se em fator de desajuste toda vez que o abuso lhe conduz as diretrizes.

“Força da alma”, podemos chamá-lo, é dínamo gerador de energia ou de corrente destrutiva que o mau comando da mente aciona com desarmonia.

Confundido pelos “vendedores de ilusão" em objeto de gozo, exaure-se facilmente, exigindo os condimentos do exagero, como dos estimulantes danosos com os quais se aniquila ou perverte...

A sua, ação no organismo humano, nos ideais, na conduta se faz tão poderosa que Freud e os seus discípulos, totalitários do comportamento da libido, chegaram a afirmar que, em “cada conflito do homem é possível encontrar-se a causa num distúrbio do sexo”, exorbitando-lhe a influência, embora, no estudo do efeito se recusassem a defrontar o Espírito eterno — a causa —, o grande condutor de si mesmo pela via da desdita ou da tranquilidade.

Considerado pela ignorância religiosa e pelo preconceito como “instrumento de pecado”, é, em verdade, valioso recurso de elevação, aguardando entendimento e consideração pelo ministério a que está fadado.

As forças genésicas se expressam de maneira mui diversificada entre as criaturas, razão por que nem todos conseguem traduzi-los em padrões equivalentes de comportamento. Todavia, seja em qual for o estágio em que o indivíduo se situe, cumpre-lhe educar o sexo e conduzi-lo, a fim de não ser por ele arrastado, fazendo-se senhor da sua faculdade e não subalterno aos seus impulsos de atavismo primitivo...

Ninguém consegue silenciar a manifestação do sexo sem sofrer-lhe as consequências, cabendo a todos o dever de aperfeiçoar-lhe a função, sem o desejo de extirpar-lhe a finalidade por prejuízo religioso ou conflito psicológico.

As energias de que se constitui fornecem os componentes hábeis para os impulsos criativos, pois que a tais finalidades se destinam. A castração indevida, pela violência e através dos reagentes mentais da inconformação, favorecem o surgimento de distonias mais graves, no sistema nervoso neurovegetativo, relaxando os campos de força do perispírito que passa a desorganizar a área correspondente no corpo físico.

Nem a abstinência cega, portanto, diante dele, nem a usança sem freio.

Conduzido conforme merece, mantém-se em regime de castidade, não pela ausência funcional, senão pelos objetivos que preenche a serviço da vida superior.

Amordaçado pela revolta ou aprisionado nas algemas da repulsa, desorganiza o equilíbrio da emoção e atormenta.

Atendido com dignidade e comedimento, instaura a alegria na paisagem emocional, enquanto favorece com ternura e afabilidade aqueles que o amparam e amam.

Porque, normalmente, exige um parceiro, responde pelo destino do outro, que não pode ser relegado a plano secundário, após a convivência.

Com reflexos profundos na psique e na emoção, o sexo merece carinho e a sua condução deve receber o respaldo da consciência que ama, a fim de que se tome instrumento de Deus em benefício das criaturas, ao invés de anestésico da alma e tóxico alucinante que desagrega os indivíduos e corrói a sociedade, qual ocorre nos dias atuais.

Porque procede do ser interior, suas conquistas e quedas são transferidas ao agente cósmico — o Espírito — que se torna herdeiro das próprias ações, conduzindo os resultados para o plano do além-túmulo, e, dali, para as reencarnações futuras, nas quais se depura, se o usou mal ou se eleva, caso o tenha aplicado corretamente.

O sexo, desse modo, expressa em cada criatura o seu estado espiritual, merecendo a conduta própria, específica, para auxiliar na ascensão libertadora.

Com a visão espírita clarificando os canais sublimes da vida sexual, propiciadora da evolução dos seres, mediante a reencarnação, conclama o homem a alcançar a glória da sublimação pelo amor e da fraternidade através da ética do Evangelho, não cobiçando nem perturbando a ninguém, em nome de um prazer fugaz, que se toma irrelevante e frustrador.

Sexo e amor, são, pois, os termos do progresso e da vida.

 

(Mensagem do livro Em Louvor à Vida, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco)

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