O Espiritismo responde...

  • DIVALDO RESPONDE

Pergunta –  Qual o principal objetivo do trabalho assistencial no Espiritismo?

O de promover o homem, libertando-o, não dos efeitos da miséria que o leva ao sofrimento, mas das suas causas geradoras.


Objetivando, o Espiritismo, a transformação moral do homem, está implícito que este se encontra vinculado a eiros por ele mesmo praticados e dos quais se deve libertar pelo esforço que desenvolva em favor da sua própria felicidade.


Assim, a maior ação que se pode realizar é ade ajudar o indivíduo a encontrar as raízes do seu eiro, para podei' libertar-se dele, enquanto não logra o cometimento de se liberar das causas passadas, aquelas que o levaram a delinquir tomando-o um atormentado ou sofredor. A nós cumpre a assistência socorrista, que lhe dá os meios para, se bem aplicados, atingir aquelas metas essenciais. Daí, a assistência social, a caridade material, sem a caridade moral da iluminação do beneficiado, serem paliativos cujos efeitos logo desaparecem, porque, não erradicadas as causas permanecem-lhes as consequências. 


Allan Kardec foi de uma propriedade, de uma sabedoria inigualáveis; ele estabeleceu que o egoísmo é o câncer que corrói o organismo social, e que o homem sofre os efeitos da sua própria atitude. Conscientizar o indivíduo para as suas responsabilidades é a primeira tarefa da ação espírita no trabalho do socorro e da caridade. 


Assim, toda vez que empreendermos a tarefa socorrista, tenhamos em mira a iluminação do socorrido, afim de que ele não gere novos fatores desencadeadores de problemas para o futuro. Na velhice, na fase de senectude, em que o indivíduo já não dispõe de tempo para reparar os erros passados, nem para criar meios de reabilitar-se deles, tem lugar a ação da beneficência generosa. E a caridade gentil, que alberga a dor, mas que também prepara o indivíduo para os futuros cometimentos reencarnacionistas. 


Eu tive a ocasião de conhecer uma senhora de oitenta e dois anos que se matriculara numa Universidade de terceira idade. Perguntei-lhe: “A que a senhora aspira?, fazendo agora um curso universitário, que talvez não venha a concluir?" Ela respondeu: "Eu aspiro ao futuro". Eu indaguei: "Qual o futuro?". Ele redarguiu: “ - da próxima encarnação. Estou preparando-me para armazenar conhecimentos de que me recordarei quando voltar, já fazendo, agora, parte que me cumpre desempenhar na primeira e na segunda infância. Terei esses períodos mais rápidos e mais lúcidos, tornando-me, quiçá, um gênio precoce. ” 


Ela está muito bem fundamentada na ética da reencarnação. "Nunca é tarde para aprender", como diz o velho provérbio árabe, “sempre é cedo". Então, mesmo diante de enfermos na fase terminal, de idosos que marcham para a desencarnação poderemos colocar as luzes do futuro, preparando-os para a sua etapa de amanhã. 


Trata-se de uma terapia preventiva. Eu me lembrei da insigne Maria Montessóri, recebendo a visita de uma dama rica, que lhe perguntou: "Professora, em que idade eu devo começar a educação de meu filhinho?". E a célebre mestra, criadora da "Casa dei Bambini", em Roma, lhe retorquiu: “E qual a idade de seu filhinho?" A dama respondeu: - Tem um ano. E Montessóri concluiu: "Vá depressa, porque você já perdeu o melhor período da vida para educar seu filho, que é este que está passando 
Sabemos, graças a psicologia infantil, que os primeiros anos de vida são os de formação do caráter e da personalidade. E sabemos, à luz da psicologia reencarnacionista, que o Espírito, nesse período, ainda não tendo mergulhado totalmente na matéria densa, com o seu psiquismo ainda não estando revestido inteiramente dos neurônios cerebrais, tem a melhor fase para absorver o conhecimento, que mais tarde se manifestará nas expressões da memória e do discernimento, através da razão, quando o indivíduo começar a pensar. 


Assim, a tarefa de iluminação tem regime preferencial, a de educação tem primazia. 


Pelas minhas mãos escreveu, oportunamente, Amélia Rodrigues: "Quem instrui prepara para a vida. Quem educa dá vida. E quem evangeliza salva vidas". Que seja nossa a tarefa da educação pela instrução e pelos hábitos ou à luz do Evangelho, para que a vida seja fomentada e se torne vida.

Fonte: Texto do livro Palavras de Luz, sob a inspiração de Diversos Espíritos, psicografado por Divaldo Pereira Franco - 

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