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Homossexualidade e bissexualidade

  

“(…) um Espírito imortal, com idade às vezes multimilenária, encerrando consigo a soma de experiências complexas, o que obriga a própria Ciência terrena a proclamar, presentemente, que masculinidade e feminilidade totais são inexistentes na personalidade humana (…).

André Luiz

(Sexo e Destino, psicografado pelos médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira. Cap. 9. 2ª parte)

De Waal é um biólogo de formação e o maior espe­cialista em bonobos do mundo. Estuda os primatas há 35 anos. Observa-os por horas a fio: chimpanzés, babuínos, macacos-capuchinhos e, claro, bonobos. Pesquisa-os em seu laboratório — o Yerkes Primate Research Center, na Universidade Emory, em Atlanta (EUA), onde também leciona no Departamento de Psicologia — e ainda se vale dos zoológicos para seus estudos. A partir das pesquisas e experiências efetuadas, já escreveu extenso material sobre esses animais.

Os chimpanzés, bonobos, gorilas e orangotangos são qualificados, na ordem dos mamíferos, como grandes primatas não humanos, dotados de cérebro grande e diferenciado, todos destituídos de cauda e munidos de membros com cinco dedos, com o polegar oponível aos demais e visão binocular. São chamados antropoides, ou seja, os que têm o formato do homem [1].

Segundo esse pesquisador, nunca devemos confundir grandes primatas com macacos. "Primata" é uma nomeação que os humanos também recebem. Dos cita­dos acima, tem os homens, um ancestral comum com o chimpanzé e o bonobo; no entanto, é bom que se diga que nenhum deles tem um grau maior que o outro de parentesco conosco. Ainda assim é motivo de discussão entre os primatólogos qual dos dois seja exatamente o melhor modelo como antepassado da atual humanidade.

Na época presente, os geneticistas se concentram em modernas pesquisas, analisando os genes que afetam a evolução ao longo de milhões de anos. Os dos homens e os dos quatro outros grandes primatas pertencem a ramos ou espécies distintas.

A árvore genética humana e a dos primatas não hu­manos (chimpanzé, bonobo, gorila e orangotango), basea­das em comparações de DNA, indicam com precisão há quantos milhões de anos essas espécies se distanciaram. Chimpanzés e bonobos formam um único gênero: Pan. A linhagem da humanidade divergiu do ancestral Pan há cerca de 5,5 milhões de anos.

Alguns cientistas julgam que os homens, os chimpanzés e os bonobos são suficientemente aparentados para formar um único gênero: Homo. Bonobos e chimpanzés apartaram entre si, depois de separados dos ancestrais hu­manos, há mais ou menos 2,5 milhões de anos.

Entende-se, ainda, que ambos têm um grau de pa­rentesco bastante próximo da civilização contemporânea. O gorila se separou antes, portanto é mais distante na árvore ancestral humana, e o mesmo pode-se dizer do único grande primata asiático, o orangotango, concluem os cientistas.

Conta o biólogo holandês [2] em seus relatos sobre a homossexualidade que Vernon, bonobo macho do Zoo­lógico de San Diego, dominava um pequeno grupo ao qual pertencia uma fêmea, Loretta, e esta era sua amiga e parceira sexual. E foi essa a única vez em que ele viu um grupo de bonobos comandado por um macho. Na época, pensou que fosse natural, pois a dominância dos machos é típica na maioria dos mamíferos. Comparados aos chim­panzés, que são liderados por machos, os bonobos têm gênio pacífico e são dominados pelas fêmeas, atitudes essas que proporcionam um novo modo de analisar a linhagem humana. Mas Loretta era relativamente jovem e a única fêmea do grupo. Assim que uma segunda fêmea foi colocada junto ao bando, a balança do poder pendeu para o outro lado.

Quando se avistaram, a primeira coisa que Loretta e a outra fêmea fizeram foi sexo. O padrão é conhecido pelos especialistas pela sigla CC (genito-genital rubbing). Uma abraçou-se à outra com os braços e pernas, como fa­zem os bebês bonobos para segurar-se no ventre da mãe. Sua expressão facial e os gritos estridentes não deixavam dúvida sobre a questão de que os grandes primatas sentem prazer sexual.

A sensualidade entre Loretta e sua nova amiga tornou-se cada vez mais comum, indicando o fim da domi­nância do macho Vernon. Meses depois, podia-se observar, à hora da refeição, as duas fêmeas sempre juntas e tomando posse de toda a comida. O único modo de o macho Vernon conseguir algum alimento era pedir de mão estendida. Essa conduta de controle do suprimento ou comida pelas fêmeas também é uma particularidade da espécie encontrada em cativeiro e igualmente na vida selvagem.

Continua escrevendo o renomado primatólogo, em sua narração, que a homossexualidade, em vez de ser uma "preferência", como alguns conservadores afirmam com segurança, ocorre de modo natural para certos indivíduos; é inerente a quem eles são. Em umas culturas, são livres para expressá-la; em outras, precisam ocultá-la. Como não existe povo sem cultura, é impossível saber como se manifestaria a nossa sexualidade na ausência dessas influências sócio-culturais incutidas ao longo dos tempos.

 

Como seria a verdadeira conduta do homem sem esses invólucros normativos? Diz literalmente de Waal: "A natureza humana pura é como o Santo Graal: eter­namente procurada, mas nunca encontrada. Entretanto, temos o bonobo. Esse primata é instrutivo, pois desconhe­ce proibições sexuais e tem poucas inibições". Com isso não queremos dizer que esses primatas nos sirvam como exemplos de vida, embora, eles demonstrem uma rica e natural sexualidade na falta dos mantos culturais que criamos na humanidade.

De acordo com a escala Kinsey [3] e [4], resultado de uma pesquisa sobre o comportamento sexual do homem, a maior parte dos humanos pode situar-se mais na extremi­dade heterossexual. Nessa escala, que vai de zero a seis, zero indica pessoas de comportamento heterossexual ex­clusivo; e seis, indivíduos eminentemente homossexuais. Os bonobos, porém, parecem ser totalmente bissexuais nessa classificação, ocupando o ponto três da graduação citada.

Os bonobos são, com exatidão, pansexuais, designação que, por uma feliz coincidência, remete à do seu gênero. Pelo que sabem os cientistas, não existem bonobos exclusivamente heterossexuais ou homossexuais, uma vez que todos praticam sexo com quase todos ou com todos os tipos de parceiro.

Bonobos constituem a prova biológica de que, ao contrário do que querem fazer crer algumas religiões ortodoxas, manter relações sexuais somente para fins reprodutivos não é o natural, conclui o Ph.D. Aliás, é bom lembrar que os genes e hormônios ignoram as normas sociais e as prescrições eclesiásticas.

A bissexualidade e a homossexualidade entre primatas não humanos é incontestável, pois está abundantemente documentada na literatura científica. Práticas sexuais chamadas atípicas como essas são características da espécie; nunca foram descritas em outros primatas não humanos.

Milhares de horas de observação científica comprovaram que as fêmeas preferem a companhia umas das outras à dos machos. Nos momentos de lazer, sentam juntas, fazem grooming nas costas das companheiras e, durante as viagens à procura de frutas, andam com os filhotes nas costas, na parte central dos grupos, mantendo os machos em posição periférica.

Homofobia significa "rejeição ou aversão; sentimento de repulsa, repugnância, asco irracional, aos homossexuais" e praticamente se traduz por um comportamento de abominação que pode levar à autodestruição, bem como à destruição de outro ser humano.  

Esse tipo de fobia gera consequências graves para o meio social, e as ciências psicológicas do mundo moderno buscam identificar os motivos que levam uma pessoa a ter essa atitude carregada de violência ou de ímpeto cruel. 

Não há enfermidade mais grave do que aquela que não reconhece a sua virulência. A nossa maior ignorância é não perceber que, ao medir as atitudes humanas, utilizamos nossa visão — que, embora só alcance “um palmo” adiante, julga coisas que estão a quilômetros de distância. Devemos respeitar a realidade de todos e lembrar que grande parte do mundo está fora do nosso campo visual e da nossa capacidade de discernir o mundo exterior.

De acordo com os estudiosos do comportamento, os que se sentem afrontados pela presença de homossexuais devem buscar no âmago de si mesmos certos conteúdos ignorados de sua sexualidade e questionar-se sobre as razões que justificam tal afronta. Ao contrário dos homo­fóbicos e preconceituosos, indivíduos em paz com seus caracteres sexuais aceitam a sexualidade de outrem com respeito e natural idade.

Respeito é diferente de adesão. Somente com res­peito é que poderemos ter uma sociedade mais justa e  igualitária, como esclarece o grande Agostinho de Hipona na afirmação: "Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos".

 

Outras matérias apontam que uma das causas da ho­mofobia é o fato de que a homossexualidade abala o louvor que certos indivíduos dão ao machismo, à virilidade, à energia e ao vigor, acreditando que ela diminui a figura masculina heterossexual, que é tida como sinônimo de poder e força. 

Muitos seres humanos têm o hábito de agir com desrespeito às pessoas, como se elas fossem meras coisas, simples objetos, em vez de seus semelhantes. Temos muito a aprender com as histórias de vida dos outros, sejam eles quem forem. Elas podem iluminar nosso caminho, levar-nos a agir com discernimento e usar eficiência ao optar por uma escolha em detrimento de outra.  

Apenas no mundo das origens ou da dimensão es­piritual, após a desencarnação, é que nos será permitido entender, com perfeita lucidez, os vínculos da afinidade e/ou das almas afins. A reencarnação propõe respeito de uns para com os outros. Na vida existe naturalmente uma demarcação, em que deve imperar consideração em re­lação aos semelhantes, a qual não pode ser extrapolada, mesmo que se acredite ser o possuidor da verdade. É dessa extrapolação que pode surgir a brutalidade e a intolerância, destruindo, em muitas ocasiões, existências inteiras.  

Se o nosso semelhante está em paz com a decisão que tomou diante da vida, roguemos ao Criador tranquilidade para nós, mesmo que tenhamos pensamentos antagônicos ou não concordemos com ela. Perante as decisões alheias, o respeito é o principal freio a reprimir todos os conflitos sociais. A propósito, é bom lembrar que o respeito pertence ao domínio da razão e provém do bom senso. A insensata obediência às regras e normas sociais pode ser a maior inimiga da verdade.  Os homens não conseguem penetrar, de imediato, a rede do destino que os princípios da Vida Maior re­servaram a seus semelhantes; somente no futuro estarão habilitados a discernir o enigma das encarnações em que mergulharam nossos amigos, parentes ou qualquer ser humano que viermos a encontrar ou conhecer.  

 

 

 

[1] Frans de Waal. Eu, Primata – Por Que Somos Como Somos. Companhia das letras. Letras, pág. 25.

[2] Frans de Waal. Eu, Primata – Por Que Somos Como Somos. Companhia das letras. Letras, pág. 22.

[3] Nota da Editora – A Escala de Kinsey (Alfred Kinsey) tenta delinear o comportamento sexual de uma pessoa ao longo do tempo e em seus episódios num determinado momento. Ele usa uma escala iniciando em zero, com o significado de um comportamento exclusivamente heterossexual, e terminando em seis, para comportamentos exclusivamente homossexuais, também dizendo que existe uma graduação entre os dois polos sexuais. Em estudos posteriores, Alfred Kinsey e Wardell Pomeroy publicam livro acrescentando ou introduzindo ainda os assexuais.

[4] Nota da Editora Alfred Charles Kinsey foi um entomologista e zoólogo norte-americano. Em 1947, na Universidade de Indiana, fundou o Instituto de Pesquisa sobre Sexo, hoje chamado de Instituto Kinsey para Pesquisa sobre Sexo, Gênero e Reprodução. Suas pesquisas sobre a sexualidade humana influenciaram profundamente os valores sociais e culturais dos  Estados Unidos, principalmente na década de 60, com o início da chamada "revolução sexual".

 

(Mensagem do livro Estamos prontos Reflexões sobre o desenvolvimento do espírito através dos tempos, psicografado pelo médium Francisco do Espírito Santo Neto).

 

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