O Trabalhador Espírita

Joanna de Ângelis [1]

Após o contato lúcido e consciente com o Espiritismo o indivíduo compreende o sentido e o significado da sua existência na Terra.

De imediato, começa a romper a carapaça do ego, descobrindo as formosas oportunidades de crescimento moral e espiritual, saindo das paisagens limítrofes das paixões inferiores e do seu cárcere, às vezes, dourado, onde fixou domicílio.

Os interesses anteriormente mantidos, aos quais dava uma relevância exagerada, lentamente passam a ceder lugar a outros mais profundos e libertadores, que o encantam, pro­porcionando-lhe entendimento a respeito da vida e do proces­so de evolução no qual se encontra situado.

As ilusões e os campeonatos da fantasia deixam de ter prioridade na sua agenda de aspirações diárias, em face da compreensão de que é imortal, e todo o projeto orgânico tem por finalidade a superação dos vícios e das más inclinações, essas atávicas reminiscências do período primário por onde transitou.

Uma alegria natural, feita de expectativas felizes, passa a dominar-lhe a casa mental, enriquecendo-a de aspirações torno do belo, do nobre e do edificante.

Nesse momento, descobre a arte e a ciência de servir, a que não se encontrava habituado, em razão das heranças passadas que o colocavam na postura enferma de querer sempre ser servido.

Contempla com outros olhos a mole humana e descobre sofrimento onde antes via poder e prazer, identificando a imensa procissão das almas enfermas espiritualmente com todo tipo de carências: afetivas, morais, espirituais, que as levam ao desespero e à agressividade.

Quanto mais se deixa penetrar pelo conhecimento da doutrina renovadora, mais acentuados se fazem os sentimentos de amor e de solidariedade, estimulando-o a participar do banquete especial de cooperação em favor de melhores condições de vida e de diminuição das aflições vigentes.

Descobre que no Centro Espírita encontra-se a sociedade miniaturizada, uma célula de relevante significado, e tudo quanto ali seja realizado estará contribuindo em favor do conjunto humano fora das paredes em que se hospeda.

O Centro Espírita, na sua condição de escola de educação de almas, de hospital, de oficina e de santuário, no qual o amor se expande, passa a constituir-lhe o lugar ideal para aprender a servir, cooperando em favor da iluminação das consciências e da expansão do bem em toda a Terra.

Esse treinamento beneficia-o no comportamento doméstico, tornando-o mais tolerante e afável, comunicativo e jovial, autorresponsável, descobrindo na família a excelente ocasião de crescimento íntimo, porque está informado que ali estão reencarnados Espíritos de que necessita para avançar e não seres angélicos para o seu banquete da felicidade.

Lentamente, nesse indivíduo, nasce o trabalhador espírita.

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Compreendendo que a instituição que frequenta necessita de apoio e de atendimento, passa a ajudar em pequenas tarefas, aquelas que nem sempre são percebidas, treinando humildade e renúncia.

Não aspira aos cargos de destaque, mas aos encargos indispensáveis à manutenção dos edificantes labores.

Uma real transformação interior nele se opera.

Conhecendo a Doutrina, mais facilmente informa-a aos novatos, àqueles que se apresentam por primeira vez na Casa buscando amparo e orientação, proporcionando-lhes um saudável entendimento dos postulados que a constituem.

Transforma-se em servidor, procurando ser membro ativo e nunca, apenas, observador passivo, que se serve sempre, sem o espírito de cooperação que dignifica o ser humano.

Espiritizando-se, equipa-se dos instrumentos de amor e de compreensão, a fim de contribuir eficazmente em favor da sociedade melhor e mais feliz do futuro.

No período em que o Cristianismo primitivo mantinha a pulcritude dos ensinamentos de Jesus, os núcleos onde se reuniam os discípulos do Senhor eram constituídos por esses trabalhadores dedicados e fiéis que se davam ao serviço da lídima fraternidade, ensinando pelo exemplo os insuperáveis conteúdos da Mensagem libertadora.

O Espiritismo é a revivescência do Cristianismo na sua mais pura expressão, e assim sendo, não dispensa a contribuição valiosa do cooperador atento e dedicado, que se torna piloti humano de sustentação dos ensinamentos sublimes.

Desse modo, candidata-te, onde te encontres, ao serviço do Bem, na condição de trabalhador voluntário, esquecido das compensações terrestres e lembrado dos deveres que deves assumir em relação ao teu despertar de consciência espírita.

Tudo quanto faças, que o faças com alegria, sem queixas, sempre feliz, de modo que todos aqueles que te recebam a presença levem algo de bom que lhes ofertes e jamais se olvidem do bem que lhes fizeste.

Se fores convocado a posturas administrativas, aos serviços humildes de limpeza ou outros quaisquer, executa-os com o mesmo entusiasmo, sem selecionar quais aqueles que são importantes em relação aos secundários. Todos os labores têm alta relevância, porque o conjunto é sempre o resultado das diversas partes que proporcionam a harmonia.

Convidado ao ministério da mediunidade, na condição de instrumento dos Espíritos, na área da consolação dos desencarnados, na aplicação de passes, na magnetização ou fluidificação da água, na condição de seu psicoterapeuta, na oratória, na elaboração de cursos e de programas, seja em que mister encontres lugar, trabalha com simplicidade e dedicação, tornando-te útil, de tal forma que, enquanto estejas reencarnado não seja notado o teu valor, mas depois da tua desencarnação sejas recordado com carinho pelo que fizeste, pelo que deixaste de ternura e de caridade…

Toda essa sementeira de serviço irá converter-se numa ceifa de luz que te transformará em vitorioso sobre as tendências negativas e os atavismos infelizes.

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Jesus é o exemplo do mais extraordinário servidor de que se tem notícia.

Não bastasse toda a Sua vida de dedicação e renúncia, de ação afetiva contínua, antes de oferecer a vida na cruz, no momento da última refeição com os discípulos, lavou-lhes os pés, a fim de que tivessem algo com Ele, ensinando como se devem portar todos aqueles que se Lhe vinculam pelos fortes laços do amor.

Servir, portanto, é a grande meta da existência de todo aquele que haure o calor e a luminosidade do Espiritismo.

Mantém-te vigilante e serve sempre!

 

(Mensagem do livro Vitória sobre a depressão, psicografado pelo médium Divaldo Pereira Franco)

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